Não podemos deixar de lembrar que o carburador,
ainda tão presente na frota de veículos originais, marca vigorosa
presença em veículos preparados!
O
conhecimento destes componentes permite que o mecânico e o preparador
obtenham excelentes resultados no acerto de seu motor, ganhando
preciosos HP'S e protegendo o motor contra quebras.
Os
carburadores contêm um ou mais corpos. Os de apenas um copo são
chamados de simples, os que possuem dois corpos são chamados de duplos,
e podem ser do tipo progressivo ou simultâneo. O tipo simultâneo é
aquele em que o acionamento do cabo do acelerador provoca a abertura
simultânea das duas borboletas. Já os carburadores duplos progressivos,
apresentam uma característica de operação diferente: em baixas
rotações, apenas as borboletas de aceleração do primeiro corpo é
acionada, ao passo que para maiores solicitações de carga e rotação, a
borboleta do segundo corpo se abre, fazendo com que o segundo corpo
trabalhe em conjunto com o primeiro. Temos também os de quatro corpos
conhecidos como ?quadrijet?, nesse caso, com a aplicação restrita para
motores muscle cars, ou seja, de grande cilindrada.

No corpo de qualquer tipo de carburador encontraremos: difusores,
venturis e borboletas, e conforme sua disposição, um corpo pode
alimentar um ou mais cilindros do motor. Por isso, esse tipo de
carburador é também chamado de duplo corpo estagiado, onde o primeiro
estágio proporciona torque e economia condizentes com a solicitação
imposta em baixos regimes e o segundo estágio proporciona a potência
necessária às maiores cargas e velocidades.
Normalmente, a borboleta do segundo corpo é maior do que a do primeiro,
para permitir melhor vazão da mistura AR/COMBUSTÍVEL quando acionada.
Outra observação é a posição do carburador em relação ao motor, pois
sua instalação normalmente é feita em uma posição onde o segundo corpo
é sempre mais próximo do motor que o percurso da mistura AR/COMBUSTÍVEL
que flui do primeiro corpo, seja mais longo.
Essa característica favorece a obtenção de torques a baixas rotações do
motor. Da mesma forma, quando acionado o segundo corpo do carburador
por sua borboleta de aceleração, cujo diâmetro é maior, fluirá uma
mistura que percorrerá o menor caminho até as câmeras de combustão, o
que proporcionará melhor eficiência volumétrica, favorecendo a potência
em rotações elevadas.
A mistura AR/COMBUSTÍVEL, após sair do carburador, passa pelo coletor
de admissão antes de entrar na câmara de combustão, e nessa passagem a
mistura estará sujeita as perdas ocasionadas pela rugosidade,
turbulência e curvas deste coletor, o que afetará a eficiência
volumétrica. Outra observação importante é em relação ao diâmetro do
coletor e as passagens entre as válvulas e suas sedes, que também
interferem na eficiência volumétrica do motor. Os coletores de admissão
de pequenos diâmetros internos favorecem o desempenho em baixas
rotações. Da mesma forma, coletores de grande diâmetro interno
proporcionam maior desempenho em altas rotações. Não esquecendo do
comprimento, coletores curtos favorecem altos rpm's e coletores longos
favorecem torque. Tomamos como exemplo, um Gol MI 1.0 8v. Se prestarmos
atenção na construção de seu coletor de admissão, notaremos o seu
diâmetro reduzido e o seu formato de ?caracol? prolongando-o e visando
torque em baixos rpm's.
O acerto do carburador é um dos passos mais importantes no trabalho de
preparação do motor. O ponto principal é sua escolha, baseando-se no
número de cfm's (Cubic Feet Minutes, ou seja, pés cúbicos por minuto
que é igual a fluxo de vazão) que o carburador oferece e no número de
cfm's que o cabeçote aspira.
Exemplo:
Weber 40 IDF média 220 cfm's
Weber 44 IDF média 260 cfm's
Weber 48 IDF média 320 cfm's
IDF = diâmetro das borboletas
Próximo passo: multiplique o volume do cilindro pela RPM máxima, extraia a raiz quadrada e divida por, ou seja:
LINHA DE COMBUSÍVEL
Um item pouco lembrado e de suma importância, é a passagem do
combustível do tanque ao carburador. Esse ponto é muito importante,
pois muitos projetos de carros preparados por mais simples que sejam,
acabam pecando no esquecimento de uma linha de combustível eficiente
para a carburação do motor.
Outro item que requer muita atenção e cuidado são os pescadores,
diâmetros de mangueiras, nipes, entrada do carburador e agulha da bóia.
Um outro detalhe importante é o nível de combustível no interior da
cuba, pois ao determiná-lo corretamente, se otimiza a emulsão da caneta
(tubo misturador), esta depende totalmente do nível que o combustível
assuma na cuba.
BÓIA DO CARBURADOR
Outro ?macete? pouco conhecido e fantástico é o trabalho da bóia do carburador.
É a bóia que controla a abertura e o fechamento da agulha. Existem três
tipos de bóias: bronze, nitropor e poliacetal.
Algumas delas possuem dois tipos de regulagem, ou seja, regulagem no
curso da bóia e regulagem no nível da cuba. Existem bóias em que a
regulagem é feita através de calços na agulha para se alterar o nível
de cuba.
É muito importante saber que para cada combustível usado é necessário
se alterar o peso da bóia. Muitos usam a bóia que foi projetada para um
carburador a gasolina, em um carburador projetado para arrancada, onde
é utilizado o metanol, e a simples alteração na bóia pode resolver um
problema de acerto.
Quando se prepara um carburador de competição, a bóia terá que ser
alterada e para isso, existe um cálculo que dará ao preparador o seu
peso para cada combustível.
É muito importante manter o nível exato da cuba, principalmente em
altos rpm's, pois somente depois deste controle de nível, é que
poderemos pensar no tipo de caneta, giclê de ar e giclê de combustível,
para eliminar o volume de emulsão que vai entrar no motor.
GICLÊ PRINCIPAL ? GIGLÊ DE AR
A escala do giclê de combustível está diretamente ligada a três fatores importantes:
DIFUSOR: segundo indicação do manual WEBER, poderemos notar, por exemplo, que para difusores de 29 mm o giclê usado pode ser entre 1,40 mm a 1,70 mm. Outro item interessante está relacionado ao diâmetro do difusor para que a carga de ar arraste o combustível com precisão. O diâmetro do difusor estabelece asem que ?rpm? o torque e a potência máxima aparecem como já vimos na matéria, ou seja, no coletor de admissão, diâmetros menores favorecem torque, enquanto diâmetros maiores favorecem potência.
GICLÊS DE AR:
A escolha do giclê e combustível também está ligada diretamente ao
giclê de ar, pois poucos dão importância a esse calibre que ajudará em
muito no acerto de um motor preparado.
A função deste giclê consiste na formação inicial melhor e mais homogênea da mistura AR/COMBUSTÍVEL.
Para se ter uma idéia, aumentando-se o diâmetro deste giclê a mistura
se tornará mais pobre em altas rotações, o efeito é diferente com o
giclê principal, pois quando se reduz o diâmetro torna-se pobre em
todas as faixas de rpm's com exceção da marcha lenta.
TUBO MISTURADOR OU CANETA
Trabalha
submerso ao combustível existente no poço do sistema principal (no
alojamento da caneta, ao lado da cuba). Ele possui giclê principal em
sua extremidade inferior, e o giclê de ar em sua extremidade superior.
Em repouso, o nível do combustível no poço do sistema normalmente cobre
os furos laterais do tubo misturador ali mergulhado. Com uma pequena
abertura da borboleta do acelerador, a depressão do coletor de admissão
é sentida na câmara de mistura do carburador, e prossegue através do
difusor ao poço do sistema principal, o qual é abastecido pela cuba de
nível constante por meio do giclê principal. Isto faz com que o nível
de combustível do poço comece a baixar, descobrindo os orifícios do
tubo misturador. À medida que a depressão aumenta mais baixo fica o
nível do poço, e mais furos do tubo misturador são descobertos e mais
ar é admitido pelo giclê de ar. Esta progressividade aumenta o
empobrecimento da mistura.
Caso a
demanda do motor continue aumentando, o nível no poço do sistema
principal irá abaixar, até no máximo atingir a extremidade inferior do
tubo misturador, quando então o giclê de ar estará atuando em sua
plenitude. A partir desse momento, para maiores velocidades e cargas,
será necessário que o sistema suplementar de potência entre em
operação, para providenciar o enriquecimento da mistura em plena carga.
Aí, entra o conhecimento e técnica na preparação de carburadores,
escolhendo-se a caneta certa, trabalhando-se a válvula de máxima e
acrescentando econostats (giclê suplementar), conforme a necessidade.
Um ponto interessante que ajuda na escolha da caneta certa, é que
canetas com furações altas, ou seja, que ficam próximas do giclê de ar,
favorecem um enriquecimento em altos rpm's, e conseqüentemente canetas
com furações baixas, próximas do giclê principal, favorecem torque.
EXEMPLOS E CANETAS -
CARBURADOR WEBER
? Enriquecimento em baixos rpm's F7
? Mistura fraca em baixos rpm's F2, F3, F11, F14.
? Redução do enriquecimento em altos rpm?s F8, F9, F31.
? Para motores álcool e metanol F2, F3, F4, F7, F17.
Como
podemos ver, o carburador é um componente simples, mas que requer muito
conhecimento para prepará-lo, conhecer seu funcionamento a fundo
auxiliará no seu acerto e retrabalho!
Buscando informação, conhecimento, tendo dedicação e paciência, pode-se
fazer um excelente trabalho de preparação e afinação no carburador.
Como vimos à escolha ideal do carburador e a combinação entre
AR/COMBUSTIVEL /CANETA garantirá o sucesso do preparador!
Por Julio César de Vasconcelos Moura